A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo propôs à CCDR de Lisboa e Vale do Tejo um parque empresarial partilhado por Alcanena e Torres Novas, com até 1.084 hectares junto ao cruzamento da A1 com a A23, pensado para indústria e logística de grande escala. Para quem se vai instalar, há uma vantagem que raramente se repete: construir de raiz. É o momento em que a infraestrutura tecnológica sai mais barata e fica mais bem feita. Este guia junta o que se sabe do parque e o que deve ser decidido, do ponto de vista técnico, antes de abrir portas.
O parque em resumo
| Tema | O que se sabe |
|---|---|
| Área | Até 1.084 ha: 388 ha na 1.ª fase e cerca de 696 ha na 2.ª (cerca de 560 em Alcanena e 136 em Torres Novas) |
| Situação da 1.ª fase | Cerca de 40 ha em obras de infraestruturação, 141 ha classificados como espaço industrial e 207 ha em classificação |
| Localização | Nó da A1 com a A23, perto da estação do Entroncamento e dos terminais de porto seco de Riachos e do Entroncamento |
| Primeiro setor | Parque empresarial de Alcanena (140 ha, 56 lotes); obras da 1.ª fase com conclusão prevista no 2.º trimestre de 2027 |
| Estado | Proposta de Área Empresarial Estratégica de interesse nacional, em apreciação pela CCDR LVT |
Construir de raiz: o momento certo para a tecnologia
Numa instalação existente, cada cabo novo obriga a abrir tetos, passar calhas à vista e parar a operação. Numa obra nova, condutas, sala técnica e pontos de rede entram no projeto de especialidades e custam uma fração. O erro mais comum é deixar a informática para o fim, quando o edifício já está fechado e a data de arranque já foi anunciada aos clientes.
1. Conectividade: fibra, redundância e failover
Num parque novo, a rede dos operadores pode ainda não chegar ao lote. A extensão da fibra exige pedidos de viabilidade, licenças e obra, e é muitas vezes o último item a ficar pronto.
- Pedir viabilidade cedo a pelo menos dois operadores, idealmente com entradas físicas diferentes no edifício.
- Ligação de reserva de outro operador ou por 5G, com failover automático na firewall.
- Contrato empresarial com IP fixo e tempo de reposição garantido, não um tarifário residencial.
- SD-WAN se a empresa tiver várias localizações, para gerir as ligações entre sede, fábrica e armazéns como uma só rede.
2. Sala técnica e cablagem estruturada
- Sala técnica no projeto de arquitetura: espaço para bastidor, climatização, circuito elétrico dedicado e UPS.
- Cablagem Cat6A para postos de trabalho e pontos de acesso Wi-Fi, com folga para crescer.
- Fibra ótica entre naves, portarias e edifícios, em vez de cobre em distâncias longas.
- Pontos dedicados para câmaras, controlo de acessos, relógios de ponto, impressoras de etiquetas e equipamentos de produção.
- Certificação e documentação de todos os pontos no fim da obra, para que qualquer técnico saiba o que está ligado a quê.
3. Wi-Fi para armazém e produção
Um armazém não é um escritório. Estantes metálicas, pé-direito alto e o próprio produto (líquidos, metal, papel em volume) bloqueiam e refletem o sinal.
- Estudo de cobertura sobre a planta e o layout das estantes, antes de comprar equipamento, e medição de validação depois de instalado.
- Pontos de acesso Wi-Fi 6 ou 6E, de gama empresarial e geridos centralmente.
- Roaming rápido para terminais portáteis e leitores de código de barras, que se deslocam entre corredores sem perder a sessão.
- Redes separadas para operação, equipamentos e visitantes.
4. Separar escritório e produção (IT/OT)
Máquinas, autómatos e sistemas de controlo correm muitas vezes software antigo que não pode ser atualizado ao ritmo de um portátil. Se estiverem na mesma rede que o email, um ataque que entra por um anexo pode parar a linha de produção.
- Segmentação por VLAN e firewall entre escritório, produção, videovigilância, equipamentos IoT e visitantes, seguindo o modelo de zonas e condutas da norma IEC 62443.
- Acesso remoto dos fornecedores de máquinas por um ponto controlado, com autenticação forte, registo e ativação apenas quando necessário.
- Inventário de ativos industriais desde o primeiro dia: o que existe, que firmware corre e quem o mantém.
5. Servidores, cloud e continuidade
Hoje quase tudo pode ir para a cloud, mas nem tudo deve. O email, os ficheiros e muitos ERP funcionam bem como serviço. Já a gravação de videovigilância, o controlo de acessos e os sistemas que falam diretamente com as máquinas precisam de continuar a funcionar se a internet cair.
- Servidor local para o que é crítico na produção, com redundância de discos e alimentação.
- Cópias de segurança 3-2-1, com uma cópia imutável fora das instalações e testes de recuperação regulares.
- Plano de continuidade com tempos de recuperação definidos para cada sistema.
6. Identidade, dispositivos e segurança
- Microsoft 365 e Entra ID com autenticação multifator e permissões por função, criadas antes da primeira contratação.
- Gestão centralizada de dispositivos (Intune) para portáteis, telemóveis e terminais de armazém.
- Proteção EDR nos postos, gestão de atualizações e monitorização permanente com alertas.
- NIS2: médias e grandes empresas de transporte, logística e de vários setores industriais podem estar abrangidas pela diretiva NIS2. É mais simples desenhar os sistemas já em conformidade do que corrigi-los depois.
7. Sistemas de negócio e integração
ERP, faturação certificada, gestão de armazém (WMS), leitores, impressoras de etiquetas e, quando os clientes o exigem, EDI. Estes sistemas têm de estar integrados e testados com dados reais antes da primeira encomenda, não durante.
Calendário recomendado
| Quando | O quê |
|---|---|
| 6 a 9 meses antes | Viabilidade de fibra junto dos operadores e sala técnica no projeto de arquitetura |
| 3 a 6 meses antes | Cablagem durante a obra e encomenda de equipamento, que pode ter prazos de entrega longos |
| 1 a 2 meses antes | Instalação de rede e Wi-Fi, criação de contas e preparação de dispositivos |
| 2 semanas antes | Testes com dados reais e formação das equipas |
| Dia 1 | Técnico no local durante o arranque |
Como a Ferdav pode ajudar
A Ferdav é uma empresa de engenharia e operação de IT de Torres Novas, a poucos minutos do parque. Trabalhamos com o arquiteto e o empreiteiro desde o projeto, preparamos o caderno de encargos da cablagem e da rede, instalamos e configuramos tudo e ficamos a operar e a vigiar os sistemas depois do arranque, com suporte no local em todo o Médio Tejo.
Fontes sobre o parque: ECO, O Templário, Mais Ribatejo e O Mirante. Artigo atualizado à medida que houver novidades.